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Entrevista com Luis Nogueira, presidente do XVI Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia.

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Divulgação
Dr. Luis Nogueira – presidente do XVI Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia

 Por: Sérgio Augusto

O XVI Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia superou todas as expectativas, inclusive as do seu presidente, Dr. Luis Nogueira. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a importância do evento, o aparecimento de novas lideranças regionais, no segmento, além de chegar a uma conclusão: “Belém nada deve às outras capitais, em termos de profissionais qualificados e clínicas especializadas em oftalmologia”. Confira o bate-papo.

1 - Dr. Luis Nogueira, qual a sua avaliação geral sobre o XVI Congresso Norte-Nordeste de Oftalmologia?

R – Foi um sucesso absoluto. Tivemos mais de 800 inscritos, num congresso que normalmente, nos últimos anos, acontecia com cerca de 350 participantes. O Pará e Belém, em especial, teve essa grande felicidade de alavancar o congresso, mesmo sem o apoio da imprensa local.

2 - Qual a importância de um evento desse porte para a oftalmologia regional e nacional?

R – Levantamos muitos aspectos que são ligados diretamente à população. Vamos diretamente à prática: em Belém tivemos, recentemente, mais de dez transplantes de córnea, devido ao uso inadequado de lentes de contato, por pessoas que acham mais fácil, mais barato, comprá-las em óticas ou farmácias, sem auxílio do profissional capacitado. Veja bem: nem um sapato, ao ser comprado, você deixa de experimentar, imagine uma lente de contato, que é colocada sobre o olho. Portanto, o congresso teve como uma de suas virtudes mostrar a ciência àqueles que estão habilitados a fazer a coisa. Em outros aspectos, tivemos um fórum de saúde ocular, onde foram debatidas as principais patologias oculares e como podem ser resolvidas, incluindo aquelas que são mais freqüentes na nossa região.

3 - Quais são essas patologias?

R – São elas a conjuntivite, o pterígio (popularmente conhecido como carne crescida) e as alergias oculares, que são registradas devido ao nosso próprio clima.

4 - Que personalidades nacionais e internacionais participaram do congresso?

R – Tivemos a presença da Dra. Bernadete, dos Estados Unidos, do Dr. Burnier, do Canadá, mas que por uma ocorrência de última hora não pôde vir, além de, nacionalmente, contamos com as presenças de vários nomes destacados. Contudo, eu gostaria de não mencioná-los, pois poderia esquecer de alguns. Posso dizer que, como foi um congresso Norte-Nordeste, estimulou o surgimento de lideranças e professores regionais. Antes era só o pessoal da região sul que proferia as palestras. Incrementamos o evento nesse sentido, para abrir espaço a novas lideranças e professores da nossa região.

5 - A partir desse congresso, podemos dizer que, em Belém, já temos profissionais, consultórios e aparelhos de última geração, para atender as demandas na área de oftalmologia?

R – Belém nada deve às outras capitais, em termos de profissionais qualificados e clínicas especializadas. Quando um paciente meu, ou de outros colegas, diz que vai buscar tratamento em outra capital brasileira, eu o incentivo, pois não podemos nem devemos prender o paciente. Mas aqui temos excelentes profissionais que podem atender as demandas. Raros casos precisam ser encaminhados a outros centros, mas a maioria das demandas podem ser atendidas aqui em Belém, com total tranqüilidade. A capital do Pará está cada vez mais preparada na área da oftalmologia.

6 - O fato de o congresso ter sido organizado às vésperas do Círio de Nazaré contribuiu para a presença maciça da classe médica?

R – Não. Houve sim uma influência, mas não da maneira como eu esperava. Eu fiz questão de fazer o congresso um pouco antes do Círio para estimular os congressistas a conhecerem a festa. Acho que falta mais divulgação, talvez, falta um maior conhecimento do que é essa maravilhosa celebração e nós temos algumas implicações. Por exemplo: a hotelaria dobra ou triplica seus preços nessa época, as entradas e saídas de vôos de Belém se complicam, dificultando um pouco os processos. Hoje eu digo que, talvez, se fosse fazer um outro congresso, faria depois ou em outra data que não fosse em véspera de Círio de Nazaré.

7 - A quem o sr. gostaria de agradecer pela realização do congresso?

R – Agradeço a toda a minha comissão. São muitos profissionais e eu acabaria me perdendo em nomes. Agradeceria à minha esposa, que me ajudou muito nessa luta, em especial ao Dr. Edmundo Frota de Almeida Sobrinho, meu diretor científico e uma pessoa espetacular, ao tesoureiro, Dr. José Alegria, que nos ajudou muito e ao Dr. Fernando Dias. Temos ainda as comissões que atuaram muito bem, de forma que meus agradecimentos são para essas pessoas. Não poderia deixar de agradecer à nossa cidade, pois uma coisa que me sensibilizou muito, segundo o pessoal que veio do sul, é que ficaram encantados com a maneira do paraense tratar. Realmente o nosso povo trata seus visitantes de forma diferenciada. O professor Paulo Arruda de Melo, que é um dos dirigentes do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, nosso órgão máximo, por exemplo, comentou comigo sobre essa receptividade. A todos o meu muito obrigado.

 
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