R – Tivemos uma repercussão muito boa. A comunidade cirúrgica de Belém respondeu bem ao nosso convite. Os mais destacados cirurgiões da terra se fizeram presentes. Tivemos também um grande número de médicos residentes e a participação de alunos de medicina de todas as faculdades de Belém. Completamos o nosso objetivo, que era fazer esse congraçamento, a troca de idéias e, em última análise, proporcionar uma educação permanente na área de cirurgia geral.
2 - No âmbito da cirurgia geral, podemos dizer que em nossa capital estamos capacitados para atender qualquer tipo de ocorrência, sem que o paciente precise buscar atendimento diferenciado em outros estados e países?
R – Cirurgia geral é um conceito muito amplo e variável. Posso lhe dizer que, em Belém, na área de cirurgia geral em si, temos especialistas que não deixam nada a desejar aos dos grandes centros do sul e sudeste do Brasil. Muito pelo contrário: aqui temos especialistas que muitas vezes são melhores que os demais das outras regiões. Entretanto, padecemos um pouco por causa da infra-estrutura. Não falo na questão da distância em relação a Rio e São Paulo pois, com o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento foi democratizado. Mas menciono os hospitais com suporte de terapia intensiva e alguns métodos sofisticados de imagem, que ainda não temos, bem como o fato de possuirmos poucos leitos. Quando se procura por uma cirurgia de grande porte, com retaguarda de UTI, muitas vezes precisamos adiar a intervenção por dois ou três dias, porque não há leitos disponíveis com a qualificação necessária.
3 - Dentre os principais assuntos debatidos no encontro, constaram os grandes queimados, trauma cirúrgico e escalpelamento. Essa programação foi elaborada para atender a maior variedade de demandas na área de cirurgia geral?
R – Procuramos direcionar os temas de forma a atender a realidade dos profissionais de cirurgia que trabalham na Amazônia. Tanto que o tema central do congresso foi “Um Norte Para a Cirurgia Amazônica”. Incluímos na pauta um trauma puramente amazônico, que é o escalpelamento; discutimos a cirurgia no acidente ofídico, uma realidade da nossa região; abordamos o trauma em geral, que acontece no mundo inteiro, nas grandes e pequenas cidades da Amazônia, como os acidentes causados por armas de fogo e armas brancas, acidentes automobilísticos etc; e falamos sobre o câncer, especialmente o de estômago, de fígado, de reto, que são realidades candentes para nós aqui de Belém. Procuramos dar a maior abrangência possível ao congresso, que, apesar de durar apenas três dias, jogou muita luz sobre esses temas.
4 - Que mensagem o sr. deixa aos congressistas e comunidade em geral?
R – Nós, da cirurgia geral no Pará, estamos muito preocupados com o atendimento que é dado à população. Por conta disso, discutimos no congresso a qualidade desse atendimento e a perspectiva de governo. Não falo em nível de município, estado ou poder federal, mas sim do governo que detém a maioria dos atendimentos, na área médica no Brasil. Para você ter uma idéia, dos 180 milhões de habitantes do país, apenas 40 milhões têm acesso a algum tipo de medicina supletiva e os outros 140 milhões dependem única e exclusivamente do Sistema Único de Saúde, o que é uma realidade perversa, a nosso ver. Os hospitais públicos têm que responder por isso. Discutimos as filas que se formam para se fazer cirurgias, a qualidade desse atendimento, etc. Queremos dizer à população em geral que nos preocupamos com a qualidade do atendimento e com a educação permanente e continuada dos nossos cirurgiões. Aos nossos congressistas, queremos dizer que o evento foi um trabalho que demandou bastante esforço. Houve, é claro, erros, mas também acertos, como em todo o congresso. A nossa intenção, portanto, sempre foi das melhores, para dar maior qualidade ao atendimento cirúrgico em Belém e interior da Amazônia.